O uso do Véu de Cálice na liturgia e seu significado

Como tudo na Liturgia da Santa Missa, os objetos litúrgicos têm o propósito de externar concretamente a dimensão espiritual do que se vive na celebração. Os sentidos expressam o que experimenta a alma, sendo componentes inseparáveis de uma mesma realidade. Dessa forma, também o véu de cálice compõe a mesa da celebração, porém tem sido esquecido e ainda hoje causa dúvidas sobre seu uso.

Os véus tradicionalmente nos recordam a dignidade velada, ou seja, o valor sagrado daquilo que está sob este véu.

De acordo com a legislação litúrgica da Igreja, o cálice usado na Missa deveria estar coberto com um véu. A Instrução Geral sobre o Missal Romano [IGMR 80c, 2ª edição típica] afirma: “O cálice esteja coberto com um véu”.

O Véu de Cálice é usado durante a celebração da Missa para cobri-lo juntamente com as alfaias, quando é carregado da credência para o altar no momento do Ofertório e depois da Comunhão quando são levados de volta. É normalmente usado juntamente com a Bolsa de Corporal sendo da mesma cor dos paramentos ou pode ser sempre de cor branca.

Assim como o Evangeliário, que contém a Palavra de Deus, é adornado e dignificado com belas capas, assim os vasos que conterão o Corpo e o Sangue do Senhor deveriam ser adornados e dignificados com o véu. Desde que o cálice também é o sinal visível da Eucaristia, é apropriado que ele esteja velado durante a primeira parte da Missa, a Liturgia da Palavra.

A fonte de um significado simbólico mais profundo do véu do cálice é encontrada nas Escrituras. Como prescrito no Êxodo e descrito na carta aos Hebreus, um véu ou cortina separava o Santo dos Santos do restante do Templo:

“Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição; chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança” (Hb 9,2-4)

O ato de descobrir o cálice, retirando o véu, é uma das primeiras ações litúrgicas do Ofertório significando que os sagrados mistérios estão prestes a serem revelados. Novamente, esta ação é um eco simbólico da Escritura:

“Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram.” (Mt 27,50-51)

O véu rasgado no momento da morte de Jesus anuncia a transição da Antiga Aliança para a Nova Aliança, prometida por Jesus na última Ceia: “Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós…” (Lc 22,20).

Assim, retirar esse véu marca a transição da Liturgia da Palavra para a Liturgia Eucarística, a “liturgia celeste”. Apesar da barreira de nossa indignidade, o gesto nos convida a adentrar a celebração dos sagrados mistérios. Quando o véu é removido, o esplendor do cálice é exposto.

A beleza e a riqueza dos símbolos litúrgicos nos convidam a adentrar no mistério e são por si só material catequético e educativo para os nossos sentidos.

 

Texto adaptado por Via Apia Paramentos
Fonte: Associação Redemptionis Sacramentum
Blog “Ministrare et dare animam suam” 

 

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